domingo, 22 de setembro de 2013

Imaginário e real

Emerson e Anderson (Foto: Divulgação)
 (Agente 804/ Bianca Oliveira) Desempregado e abandonado pela esposa, Duda Rangel ganha vida nas palavras dos irmãos jornalistas Emerson e Anderson Couto. Criado em 2009, o blog Desilusões Perdidas relata fatos do cotidiano de um jornalista. Mesmo com posts descontraídos como ’10 razões para namorar um jornalista’ ou ‘A reunião de pauta segundo Jesus Cristo’, o inexistente Duda, ensina, involuntariamente, sobre a profissão.


 Com um grande sucesso, recebendo cerca de 75 mil visitas por mês, foi criado o livro A vida de jornalista como ela é, lançado em outubro de 2012 e à venda pelo blog, onde está reunido em torno de 110 textos assinados pelo Duda Rangel. Acesse o blog em: www.desilusoesperdidas.blogspot.com

  Em um pequena entrevista, Emerson Couto nos conta algumas curiosidades sobre o blog:

Como surgiu o Duda Rangel e a ideia da criação do blog?

Anderson e eu sempre curtimos escrever ficção e humor, desde os tempos da faculdades, quando mantínhamos os nossos fanzines. O tempo passou e deixamos esta paixão de lado. Em 2008, a gente retomou a ideia de escrever humor e ficção. Em janeiro de 2009, o blog foi ao ar. Era mais uma brincadeira, textos para serem lidos pelos amigos próximos, mas a brincadeira acabou crescendo. Por ser um blog ficcional, a gente precisava de um narrador/personagem e foi assim que surgiu o Duda Rangel. Duda é o anti-herói, um tipo que a gente adora e que gera muita identificação nos leitores. Como o blog seria sobre o universo do jornalista, Duda teria de ser um jornalista. Duda é um pouco das nossas experiências como jornalista, as experiências de nossos amigos e histórias que ouvimos por aí.

De onde veio o nome do blog?

Desilusões perdidas é uma brincadeira com Ilusões perdidas, a clássica obra de Balzac. No livro do Balzac, o jovem deixa o interior da França cheio de ilusões com a carreira de escritor/jornalista e, quando se depara com a realidade em Paris, sofre o choque. No caso do Duda, a gente queria fazer o caminho inverso. E quando você se desilude com a profissão, como faz? O Duda quer mostrar como perder as desilusões, o caminho de volta, quer mostrar que é possível ser feliz como jornalista, apesar das dificuldades. Quer mostrar que, com os pés no chão, se vai mais longe.

 Por que escrever no ponto de vista de uma personagem e não no seu, e qual a diferença ao escrever?

Porque, como já escrevi acima, é um blog de ficção. Anderson e eu somos os autores, mas não os narradores. Embora seja um personagem ficcional, Duda é cheio de realidade, da nossa realidade. É muito mais legal para nós retratar a realidade por meio da ficção, porque ficamos mais à vontade para escrever, para criar, para viajar.

Como foi o processo de criação do livro 'A vida de jornalista como ela é'?

O livro acabou sendo um processo natural, que não estava previsto quando o blog foi ao ar. Muitos leitores do blog sugeriram a produção de um livro, como forma de organizar os textos em um documento impresso para se poder guardar. Achamos a ideia interessante. E adoramos livros em papel também. Foi também um pouco de fetiche nosso. Na época em que começamos a organizar o livro, tínhamos mais de 500 textos publicados no blog (todos autorais)  e escolhemos 110, organizados por capítulos temáticos. Privilegiamos os textos mais literários, como contos e crônicas para o livro. Muitos textos foram reescritos, atualizados, reeditados. O livro foi lançado em outubro de 2012, de forma independente. Vendemos por uma loja no Facebook (https://www.facebook.com/blogdesilusoesperdidas/app_310184625673941).

Quais foram as mudanças em sua carreira após o blog?

O blog e o livro nos colocaram em contato com muita gente legal. Até jornalistas de outros países de língua portuguesa, como Portugal e países da África, escrevem para o Duda. O Duda é lido por muita gente jovem. A gente ficou mais jovem também. Com o livro, temos viajado pelo Brasil para lançamentos e palestras, e tem sido uma experiência ótima. Nossa proposta no início era brincar e hoje discutimos jornalismo em muitos lugares. Tentamos dar nossa contribuição para a construção de um jornalismo melhor e isso é muito gratificante. Outros trabalhos também começaram a surgir depois do blog, como escrever colunas e fazer roteiros para televisão. Fomos, por exemplo, redatores de duas temporadas do programa Sensacionalista, no Multishow, e o convite rolou, porque eles curtiram o blog.


Reportagem: Bianca Oliveira

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